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sábado, 26 de novembro de 2011

À FLOR DA PELE


Quando acabou o filme “Melancolia”, ficou olhando a tela do computador por um tempo.
Lembrou-se, depois, da furadeira que o vizinho de baixo fez funcionar o dia todo. Teve que sair de casa para se ver livre do barulho que parecia estar furando seu cérebro. 
Mas a luz do dia a cegava, o brilho da claridade inundava de cores seus olhos, quando apenas precisava do tom esmaecido de um diazinho de chuva, ou então o ruço cobertor que descia das montanhas e a envolvia escondendo o excesso.
No almoço, por distração, colocara muita pimenta baiana na omelete. Foi quase como morrer queimada. A ardência que sentiu: insana.
Parecia que os extremos agudos do mundo entravam nela pelos poros, mexendo por dentro das células, indo até os átomos, estremecendo sua estrutura vulnerável, porque aberta.
A atriz entendia, na sua solidão absoluta, as complexidades do mundo.  Sabia da realidade antes da ocorrência; sentia por antecipação, o que os outros sentiriam em seguida.  Achava impossível qualquer tipo de comunicação. Os diálogos do filme foram essenciais, pois deram forma às imagens, ensinando o caminho das pedras ao espectador – mesmo tendo a parte inicial como um libreto – da mesma forma que o da ópera – revelador.
As palavras, como sempre, pontuam a vida, encaminham-na, fazem a ligação entre o ser e o mundo. Podemos pensar que elas permanecem nos livros quando morremos, pois duram um pouco mais. Apenas um pouco mais. 
Pois quando tudo acaba, o que resta?


8 comentários:

  1. As palavras eternizam as emoções,e os sentimentos!!! Vlw. bj

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  2. Certamente. Mas ao apagar das luzes total, do mundo tal como o conhecemos, não resta mais nada, nem sentimentos, nem emoções, nem nada. Infelizmente!

    Beijo, minha linda.

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  3. Barulho, pimenta, sensações incômodas como as provocadas por "Melancolia". Boas associações, Monique.

    Também gostei do filme. As atrizes estão impecáveis. Senti-me no fim do mundo, saí com dor de cabeça. Palavras infelizes do diretor em Cannes fizeram com que o filme fosse visto com má vontade pela crítica, acredito.

    Lendo o texto, me lembrei do seu bordão (palavras...): "Morreu, cabô." ;)

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  4. Oi Moniquita, gostei do texto, mas gostaria de ter lido o livro pra eu entender melhor :)
    Beijo e bom domingo.

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  5. Mary querida,

    Foi o filme mais impactante que já vi, e por isso o melhor. Um livro, um filme, uma poesia, são bons quando mexem com você, e te acrescentam algo mais. Esse filme a gente não vai esquecer, não é? Já vi a segunda vez, verei muitas mais.
    É, e morreu...cabô mermo!

    Um beijo saudoso dos nossos papos,

    Monique

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  6. Neuzica Linda da minha vida,
    Obrigada por deixar seu comentário, que aliás concordo com ele. Sem vermos o filme ou lermos o livro fica difícil entender o texto. Quando estivermos juntas, levarei uma cópia para você, visse? Vamos ver juntas, comendo pipoca, ok?
    Venha me visitar, estou muito sozinha!

    Monique, aos beijos!

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  7. Eta melancolia! Xô tristeza! Estou contornando bueiros para não entrar na fossa. Logo, preciso passar longe desse filme. Na sexta feira, vi O Garoto da Bicicleta e quase me atirei debaixo de um ônibus na saída.
    Estou brincando o texto é bom e gostei muito. Bjs. Celso Gomes.

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  8. Oi, querido!
    O filme não é depressivo, apenas ele te abre possibilidades para você pensar na sua vida, e ver o que realmente faz diferença. Não é filme para abrir um berreiro, e sim para pensar. Reflexivo. Inteligente, belíssimo.
    Quando ao Garoto da Bicicleta, achei o final xôxo! É um filme correto, não tem pieguice e isto é bom. Mas Melancolia é um filme para ficar, como um dos melhores.

    Mil beijos, obrigada pelo comentário!

    Monique

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