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sábado, 7 de janeiro de 2012

CAMINHANDO E PENSANDO...

As aulas do Aristóteles deveriam ser admiráveis: passeando por jardins e alamedas, enquanto lia e filosofava com seus alunos em vez de ficar confinado a quatro paredes. Quando aprendi isso no Clássico do C. Jacobina em 67, nosso professor João andava distraído também pela sala, falando com seu sotaque nordestino e nos olhando com seus olhos azuis.
Foi nisto que pensei ontem enquanto caminhava pelo Valparaíso - não no Chile, mas em Petrópolis - e em como aulas em contato com a natureza deveriam ser completas, sem a inutilidade de powerpoint e lousa. Petrópolis não é plana como o Rio, mas tem vielas e travessas que levam a lugares surpreendentes perto da natureza exuberante. Sem o calor do Rio, o stress, a violência, e bem mais barata!
Há uma vantagem em morar a 1h do Rio, que é ir e voltar de ônibus. Viajo nas poltronas da frente  e acabo conhecendo mulheres interessantes que viram amigas.
A minha primeira foi a Anna - secretária particular de um intelectual carioca - uma pessoa culta e prestativa, afável na sua conversa, sempre descobrindo contatos e pessoas em comum durante o papo. Demos boas risadas.
Quando se tem uma hora inteira para falar, em vez de dormir, sem querer puxa-se uma conversa e a amizade acontece. Os emails simplificam a vida, mas nos afastam dos amigos com a preguiça. 
Depois foi a Nanda, uma grande musicista de contrabaixo, mulher culta e descolada, que tem uma banda cheia de swing como o do Earth, Wind & Fire, pois eu ouvi, meninos! Ela, como eu, também é fã de uma internet livre, e trocamos figurinhas de músicas e filmes para baixar.
Um outro dia resolvi deixar a bagagem apertada nas minhas pernas. Nisso esbarrei na Rose, assessora de imprensa, produtora cultural e artesã, muito culta e inteligente. Viemos falando do Rio, descemos no Alemão, conversamos por mais duas horas, depois chegamos à minha casa e continuamos o papo por mais uma hora. Altas risadas e concordâncias.
Numa outra viagem foi a vez da Célia, que trabalha na UFF em Niterói. Viemos conversando e quase me esqueço de descer, pois ia a um vidente italiano nos confins da cidade. Aliás, que vidente! Um cara super culto, simpático e fluente no português. De olho azul.
Depois conheci a Denise, que se formou na Alemanha em Gerontologia, e acabou se casando há oito anos com um alemão por quem se apaixonou em Petrô. Ela me indicou um Centro de Línguas pertinho de casa e fiquei encantada com o local cheio de bossa e novidades aqui na terrinha. Denise agora procura emprego (em geriatria) e eu - em qualquer coisa! Ficamos muito amigas.
Outra vez foi com a Renilda que vim falando sem parar sobre escrita, ficção, romances lidos, e acho que ela daria uma boa escritora.

Apenas caminhando, pensando e conversando. 
Quando se é simples, a vida é simples.