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quarta-feira, 18 de julho de 2012

A NÉVOA, O FACEBOOK, A VAIDADE

A vista da varanda some, fica outra: a névoa chegou. Está esbranquiçada, translúcida , misteriosa. Esfria. Acostumada ao sol inclemente do Rio e ao brilho das cores, ver a paisagem encoberta é sentir um maravilhamento, um espanto. A natureza faz sua mudança silenciosamente.  Uma fumaça espessa como num incêndio vai enchendo os espaços, instalando sua presença.
Hoje ia vender os meus biscoitos, mas estava frio de 11°C, a cidade branca. Quem iria comprar biscoitos num dia assim? Mas a causa primeira da desistência foi o post que recebi de um fotógrafo no Facebook: a fome, a miséria absoluta, pessoas morando no lixo. Desanimei.
Passamos pelo terror no país, a corrupção vai levando de rodo a classe política toda, como se os políticos estivessem apenas competindo entre si. País e povo não existem. Brincam com nosso dinheiro numa roleta russa para ver quem é o mais esperto, o da vez. Estamos assustados, pela rede há uma reclamação geral, discussões sobre o que vai acontecer. Até onde vamos esperar para tomar uma atitude. O que falta? A própria eleição pode ser corrompida, em quem votar? O poder está conosco, mas nosso voto será respeitado?
Descobri amigos interessantes e solidários na rede social. 
Há os que desafiam, são atuantes, engajados na luta contra o roubo declarado, a justiça inexistente. Têm um discurso franco, direto, sem texto arranjado ou cartilhas decoradas, com palavras que vão direto ao coração das pessoas. 
Há amigos virtuais que teria orgulho de ser amiga de verdade. 
Há pessoas simples, como um motorista de ônibus que é poeta, escreve bem.
Há o gênio do Face, proficiente na escrita, na edição, no piano, na música, na psicologia ou em qualquer assunto, pois é uma enciclopédia. Um meu querido.
Há os fotógrafos que ganharam uma visibilidade inquestionável. Enquanto um mostra a fome e rostos desesperados, outro nos apresenta fotógrafos e pensadores famosos em textos elegantes. 
Há os índios do Pantanal e os da Amazônia, que revelam como anda o país - esse mundão de Deus - até onde se alastra a devassidão por todos os cantos, becos, vastidões.
Há as amigas do colégio e do passado que voltei a rever, o que me dá prazer e alegria. 
Há outros que conheço pouco, e se dirigem mais a seus pares.
Há alguns com quem tenho mais afinidade política e intelectual, trocamos posts numa transferência necessária, como se passássemos informações dos bastidores, segredos. Estes são imprescindíveis.
E tantos mais.
Mas está frio. O coração aperta nestes dias fechados e sombrios.
Sou só.
Somos milhares que se correspondem e conversam. Mas estamos ligados por um fio, e não por laços. O que aprendi aqui em Petrópolis foi mais do que viver na solidão. Ultrapassei os meus limites, aprendi a me fazer companhia. Vendo os biscoitos que faço na rua, nos shoppings, em lojas em que os vendedores me olham como se eu fosse uma favelada. Tenho uma vergonha insana, mas ela me empurra para a frente: quero publicar meu livro e viver honestamente. Chego em casa, a bolsa ainda cheia de biscoitos como se tivesse lutado numa guerra. Talvez porque eles sejam uma futilidade, ou porque simples demais para minha grande vaidade.
Assim me vejo. Comparo-me com as fotos do Marcello Scotti sobre a fome, as crianças raquíticas e sinto vergonha da arrogância.
Minha batalha pessoal. Vou, chego, choro, me abasteço de realidade. 
O Facebook ajuda. O sol também.
Tenho que lidar com a humilhação de não ter dinheiro, como se não tê-lo fosse um defeito. E é. Mas isso passa. 


Viviendo en los vertederos ... Living in the dump sites.


Hay días en los que me cabreo, mucho ... conmigo mismo y con gran parte de la humanidad, por lo miserables, inmisericordes, hipócritas y egoistas que somos con nuestros congéneres que viven vidas que no podrían ser más miserables, más terribles y a merced de todo lo malo que pueda sucederle a un ser humano. 
Por eso es cuando gente que siendo pagada por nosotros puede arrogarse el derecho a insultarnos -a TODOS- cuando manda a "qué se jodan (los parados)" y salir impune y seguir viviendo de nuestro dinero, o gente que lidera grandes instituciones ONG y administran los dineros de un modo más que reprochable, por no decir falto de ética y moral, o cuando vemos que la desinformación acerca de la miseria, de los más afectados de la Tierra, de los niños soldado, o niños trabajando en condiciones inhumanas o siendo prostituidos o todas las lacras que ya conocéis, ... cuando todo esto se nos viene encima ... lo menos que podemos sentir es estar MUY cabreados con nosotros mismos, al menos por permitirlo.

En el mundo, millones de personas viven en la basura y de ella. Con enfermedades inimaginables a causa de los tóxicos del aire y de todo lo que tocan durante TODO el día. Y eso no es noticia, y a pocos les preocupa.

Yo comprendo que no sea lo más divertido de nuestras vidas (y menos en el mundo "americanizado" en el que vivimos donde todo debe ser divertido) pasarnos hablando de esto y mirando estas cosas. No, no lo es. Pero MUCHO más terrible es vivirlas. Y ya han tocado a nuestras puertas, y cada día nos ponen un pié más adentro ... O reflexionamos y nos lo tomamos en serio, o creo que ... el mundo cambiará pronto de un modo inesperado ... inesperado por lo que traerá que no imaginábamos.

Y aunque así no fuera, no deja de ser una más de las lacras que crecen y que no solucionamos simplemente porque les da la gana a quienes les hemos otorgado nuestra confianza y todo el poder para hacer las cosas bien, y no para hacer una cagada tras otra. Y encima nos insultan, o bien de palabra y de un modo descarado, o de hecho tomando decisiones en pos de intereses propios y de amiguetes a costa de lo que sea.

Buenas noches, gentes de bien!

Copyright: Marcello Scotti - All rights reserved

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